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Ecoparque: a evolução do aterro sanitário

A Lei Nº 12.305 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) desde 2010, tendo como uma das principais resoluções a eliminação dos lixões, migrando para modelos mais eficientes de tratamento de resíduos. Dentre as alternativas de soluções para a gestão de resíduos, destaca-se o ecoparque, a evolução do aterro sanitário.

Neste artigo vamos te mostrar o impacto ambiental dos resíduos sólidos, quais são as principais diferenças entre o lixão, aterro sanitário e o ecoparque, e como as soluções circulares podem auxiliar na destinação correta dos resíduos.

O impacto ambiental e social dos resíduos sólidos

Somente em 2024, o Brasil produziu 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU). O que significa que, em média, cada brasileiro produziu 1,07 kg desses resíduos.

De todo esse montante, 40% dos resíduos coletados tiveram destinação em áreas inadequadas, como lixões e aterros controlados.

Alguns dos impactos socioambientais associados ao descarte incorreto de resíduos sólidos são:

    • Contaminação do solo, tornando-o perigoso para a vida humana, animal e vegetal no entorno desses locais.

    • Contaminação dos recursos hídricos por infiltração de líquidos contaminantes no lençol freático.

    • Responsável por 4,3% das emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) no total em 2024 no Brasil, das quais 66% decorrem da disposição desses resíduos em lixões, aterros controlados e aterros sanitários. – SEEG (2024)

    • Alta emissão de metano, que é 25 vezes mais poluente do que o gás carbônico (CO2).

    • Poluição visual e prejuízo ao PIB do país.

Apesar dos impactos dos lixões, atualmente há mais de 2600 lixões em operação no Brasil, que recebem mais de 30 milhões de toneladas de resíduos.

A gestão adequada de resíduos sólidos, como nos ecoparques, não só reduz os impactos negativos, mas também transforma e valoriza os resíduos em matéria-prima e energia renovável, além de desenvolver a economia circular e proteger o meio ambiente, como veremos a seguir.

A evolução do tratamento de resíduos

Os resíduos são gerados todos os dias; cada pessoa produz quase meia tonelada de resíduos por ano. Em 2020, ao considerarmos os médios (pequenos estabelecimentos) e grandes geradores (indústria e agronegócio), o montante em superou 82,5 milhões, onde apenas 76,1 milhões de toneladas foram coletadas, segundo a ABRELPE (2021).

Podemos perceber que temos um grande desafio para lidar com esses obstáculos na gestão de resíduos. Mas podemos dizer também que há muita evolução no setor, que está encontrando formas mais eficazes de coleta e destinação do lixo, em busca de utilizá-lo como uma matéria-prima renovável para criação de novos produtos e serviços. 

Vamos aprofundar este tópico, entendendo a diferença entre lixão, aterro sanitário e ecoparques.

Lixão

O lixão é uma área aberta onde os resíduos são depositados diretamente em cima do solo, sem nenhum tipo de isolamento e em contato direto com a atmosfera, sendo o mais precário tipo de disposição de resíduos, acarretando grave risco para o solo, água, ar, pessoas, animais e plantas.

Esse modelo junto, ainda representa cerca de 40% da destinação dos resíduos sólidos no Brasil, expondo a grande necessidade de colocarmos a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática urgentemente.

Aterro sanitário

O aterro sanitário é uma maneira ambientalmente adequada para o tratamento dos resíduos; entretanto, não explora todo o potencial desses resíduos.

Essa é uma área que conta com impermeabilização do solo, soterramento, compactação e controle de matérias que se decompõem, o que ajuda a reduzir os impactos ambientais e a proteger as pessoas contra animais e doenças atraídos pela grande concentração de lixo.

Neste modelo tradicional, o aterro sanitário não se beneficia das opcionalidades que os resíduos representam em sua totalidade, como a geração de energia elétrica a partir do biogás, por exemplo, como já acontece nos ecoparques.

Ecoparque

O Ecoparque é uma solução avançada para o tratamento de resíduos; é uma alternativa segura e inovadora que, além da destinação adequada, garante a valorização e o beneficiamento desses resíduos. Em um Ecoparque, há infraestrutura e tecnologia suficientes para explorar todo o potencial do lixo. 

Como o processo de aproveitamento do biogás, por exemplo, que permite a geração de energia elétrica renovável e também de biometano, um combustível com propriedades similares ao GNV (Gás Natural Veicular).  

Os ecoparques ainda contam com unidades de triagem mecanizadas (UTMs) destinadas à recuperação de materiais recicláveis, além de infraestrutura e tecnologia para geração de composto orgânico a partir de resíduos. Também podemos destacar a capacidade de geração de créditos de carbono. Explicaremos mais a seguir.

Como funciona um ecoparque e quais são as soluções oferecidas

O Ecoparque é um espaço formado por um conglomerado de plantas industriais com alta tecnologia empregada que permite o tratamento e a valorização dos resíduos sólidos. Ou seja, um Ecoparque é um Complexo de Valorização e Beneficiamento de Resíduos.

Entre as soluções e produtos que são possíveis gerar em um Ecoparque estão:

1. Transformação do resíduo em energia renovável 

biogás é captado e, depois de passar por diversos processos, é usado como combustível nos motogeradores das usinas de bioenergia instaladas nos ecoparques, que, por sua vez, fazem a queima do gás, ocorrendo, dessa forma, a geração da energia elétrica renovável.

2. Transformação do resíduo em gás natural renovável

A partir da purificação do biogás captado nos Ecoparques, por meio de processos que envolvem alta tecnologia e inovação, é possível gerar o biometano, um combustível renovável que possui propriedades similares ao gás natural de fonte fóssil.

3. Triagem, valorização e destinação adequada em um único complexo 

A segregação dos resíduos é feita em Unidades de Triagem Mecanizada (UTMs) onde os materiais recicláveis são separados do lixo orgânico e destinados de acordo com suas características, o que pode garantir que um produto 100% reciclado possa voltar à cadeia produtiva, estimulando a economia circular e ainda oferecendo Créditos de Reciclagem.

4. Captação, tratamento e destinação adequada de efluentes, protegendo o lençol freático 

Todo composto líquido proveniente do aterramento de resíduos orgânicos é coletado, tratado e destinado, tudo dentro do mesmo complexo. Desta forma, o chorume, um líquido altamente poluente, é convertido em água de reuso.

5. Redução da emissão de gases de efeito estufa por meio do aproveitamento do gás metano

Presente na decomposição da matéria orgânica, o metano é 25 vezes mais poluente do que o carbônico. Ao evitar que esse gás seja liberado na atmosfera, geram-se créditos de carbono nos Ecoparques.

6. Produção de composto orgânico a partir de resíduos

Também é possível valorizar o resíduo orgânico por meio da compostagem, obtendo um fertilizante verde de fonte segura e renovável.

7. Geração de Combustível Derivado de Resíduo 

Ao submeter os resíduos ao processo de blendagem, atingem um alto nível de poder calorífico e podem ser usados como substitutos nos fornos das cimenteiras. Este material é conhecido como CDR (combustível derivado de resíduo) ou CDRP (combustível derivado de resíduo perigoso).

 

Ecoparque Orizon – Unidade Nova Iguaçu – RJ

Para ver na prática como um ecoparque funciona, você pode assisti ar esses dois vídeos da Orizon, onde mostramos como transformamos lixo em matéria-prima e energia renovável:

    1. Tour pelo Ecoparque Paulína – São Paulo

  1. Tour pelo Ecoparque Nova Iguaçu – Rio de Janeiro

Para finalizar, é importante destacar que o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, Lei 14016/20 estabeleceu que até 2024 os municípios com até 50 mil habitantes devem acabar definitivamente com os lixões a céu aberto, mostrando ser cada vez mais urgente a implementação de áreas eficazes no tratamento dos resíduos, como os Ecoparques.

Leia também:
O que é e como funciona um aterro sanitário?
Principais desafios da Gestão de Resíduos Sólidos no Brasil
Resíduos Sólidos e suas classificações

 

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