Blog

Chorume: o que é e como fazer o tratamento adequado

Orizon projeta ganhos de preço e demanda com mercado internacional de carbono

Chorume é o líquido resultante da decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos, possuindo grande potencial poluidor do meio ambiente. Por isso, é essencial conhecer o que é o chorume e como fazer o tratamento adequado.

O que é chorume?

O chorume é um líquido escuro e com odor característico, formado principalmente por dois processos:

  1. Decomposição da matéria orgânica – restos de alimentos e de outros resíduos biodegradáveis que sofrem ação de microrganismos, liberando líquidos.

  2. Percolação da água – a água da chuva (ou a própria umidade dos resíduos) atravessa as camadas do aterro, arrastando consigo matéria orgânica em processo de decomposição, bem como outros materiais presentes nos resíduos.

Quando se fala em chorume, ou lixiviado, é comum imaginar um líquido escuro e com mau cheiro, que causa grandes impactos ambientais, contaminando solo e água. Contudo, esse material de odor forte é apenas resultado da decomposição da matéria orgânica.

O chorume pode representar um risco significativo para o solo, os lençóis freáticos, os rios, os lagos e a saúde pública. Segundo Gustavo Souto Maior, da ABREMA, “O chorume do lixo é cem vezes mais poluente que o esgoto doméstico e tem a capacidade de contaminar o solo e os lençóis freáticos”.

A composição do chorume

O chorume é geralmente considerado um efluente de alta carga poluidora. Entre seus principais componentes estão:

  • Matéria orgânica em grandes concentrações, resultando em altíssima demanda química e bioquímica de oxigênio.
  • Metais pesados: chumbo, mercúrio, cádmio, zinco, arsênio.
  • Nitrogênio amoniacal e compostos nitrogenados.
  • Cloretos e sulfatos.
  • Patógenos: vírus, bactérias, protozoários e helmintos.

Contudo, sua composição varia conforme os resíduos recebidos, o clima local (chuvas intensas aumentam a produção de chorume) e a idade do lixiviado (em aterros novos, o chorume é mais concentrado; em aterros antigos, mais estabilizado).

Riscos ambientais e de saúde pública

O chorume não tratado é um grande vilão ambiental, com impactos como:

  • Contaminação do solo e das águas subterrâneas: infiltrações comprometem aquíferos e reservas de água potável.
  • Poluição de rios e lagos: o descarte inadequado eleva a carga orgânica e causa eutrofização, diminuindo oxigênio da água e matando peixes.
  • Odor desagradável: causa incômodo à comunidade do entorno e atrai vetores que transmitem doenças.
  • Riscos diretos à saúde humana: contato ou ingestão de água contaminada pode provocar intoxicações, diarréias graves, hepatite e outras doenças de veiculação hídrica.
  • Gases de efeito estufa: associado à decomposição orgânica, libera metano (CH₄), um gás 28 vezes mais potente do que o CO₂ no aquecimento global.

Não à toa, a legislação brasileira é rigorosa no que diz respeito ao manejo do chorume, exigindo sistemas adequados de coleta, tratamento e monitoramento nos aterros sanitários.

O tratamento de chorume está diretamente vinculado à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei nº 12.305/2010), que determina a obrigatoriedade de destinação ambientalmente adequada dos resíduos. Ainda, está presente em CONAMA 430/2011, ABNT NBR 8419 e legislações estaduais e municipais.

O não cumprimento dessas normas pode resultar em multas, embargos e responsabilização civil e criminal.

O chorume nos aterros sanitários

Nos aterros sanitários modernos, os problemas que podem ser causados pelo chorume são evitados por medidas desde o projeto, visto que uma série de mecanismos devem ser implementados para garantir a proteção do solo e das águas subterrâneas.

  1. Impermeabilização: a base dos aterros é impermeabilizada com camadas de argila compacta e geomembranas de PEAD, criando barreiras para impedir a infiltração do líquido no solo.
  2. Drenagem e coleta: sistemas de drenagem especiais são instalados no fundo do aterro e entre as camadas de resíduos, visando a coletar o lixiviado e encaminhá-lo para tanques ou lagoas de equalização.
  3. Tratamento: uma vez armazenado, o chorume passa por tratamentos biológicos, físico-químicos e membranas.
  4. Destinação final: após tratamento completo, esse líquido está pronto para ser encaminhado de forma segura para corpos hídricos ou para reuso nos próprios aterros.

Tecnologias de tratamento do chorume

Uma das maiores dúvidas sobre o chorume nos aterros sanitários está na etapa de tratamento e como é possível reduzir toda a carga poluidora. Nos aterros sanitários atuais, como os que ficam dentro dos ecoparques da Orizon, existem tecnologias avançadas em operação. Conheça:

  • Processos biológicos: como os lodos ativados, microrganismos que consomem a matéria orgânica.
  • Reatores anaeróbios (UASB, EGSB), que degradam matéria orgânica e produzem biogás.
  • Lagoas aeradas, um sistema extensivo e de baixo custo.
  • Processos físico-químicos: como coagulação e floculação, remoção de sólidos suspensos, oxidação avançada (ozônio, peróxido, UV), que degrada compostos tóxicos.
  • Adsorção em carvão ativado, que consiste na captura de compostos orgânicos e metais.
  • Troca iônica, retira íons específicos como nitratos.
  • Processos de membranas: tratamento de ultrafiltração, que remove partículas e microrganismos, assim como nanofiltração e osmose reversa, que eliminam sais e poluentes recalcitrantes, resultando em água de alta qualidade.

O mais comum é o tratamento combinado, que une etapas biológicas, físico-químicas e membranas para maior eficiência.

Nos ecoparques da Orizon, apenas em 2025 foi gerado mais de 1,9 milhão de m³ de lixiviado, com 100% de tratamento. Dessa forma, milhares de metros cúbicos foram convertidos em água de reuso, aplicada em processos internos dos próprios ecoparques.

O chorume pode ser um dos maiores desafios da gestão de resíduos, porém é também uma grande oportunidade de inovação e implementação de práticas circulares. Quando tratado corretamente, protege o meio ambiente, reduz riscos à saúde e ainda pode gerar energia limpa e insumos para a agricultura.

A experiência da Orizon mostra que é possível transformar passivos ambientais em ativos econômicos e sociais, construindo um modelo de aterro sanitário que vai além da disposição final: um verdadeiro ecoparque, onde resíduos viram recursos.

compartilhe
Share on twitter
Share on linkedin
Share on facebook
Share on whatsapp

Notícias Relacionadas