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Créditos de Carbono provenientes de resíduos e de florestas

Atualizado em 27/03/2026 às 14:07

Um dos maiores ganhos ambientais do mercado de carbono é a possibilidade da preservação de um material que antes era desperdiçado através do retorno financeiro para conservação.

Cada um dos setores possui um impacto e alcance diferentes no mercado de carbono. Neste artigo vamos entender as principais características e diferenças dos créditos de carbono provenientes de resíduos e das florestas.

Qual setor mais emite GEE

Tradicionalmente, as emissões de gases de efeito estufa são categorizadas em cinco setores: energia, agricultura, indústria, mudança do uso da terra e floresta e, por último, resíduos.

O uso da terra e floresta é disparadamente o maior emissor de GEE, proveniente do mau uso dessas áreas, conectado com outros setores, como derrubada de árvores para a agropecuária, exploração de madeira, mineração ou avanço de áreas urbanas.

Segundo a SEEG, em 2024, o uso de terra foi responsável por 41% das emissões totais de gases de efeito estufa.

imagem com porcentagem de emissão de carbono - credito de carbono
Fonte: SEEG, 2025

Enquanto isso, o setor de resíduos está em quarto lugar na lista de maiores emissores de GEE, porém, quando passamos apenas para a emissão de metano, este setor sobe para o segundo lugar.

Grande parte da emissão de GEE advinda dos resíduos está na sua disposição final: 63%.

Como os resíduos geram crédito de carbono

Os créditos de carbono decorrentes de resíduos fazem parte da evolução na gestão e na tecnologia desses rejeitos, que antes eram apenas dispostos em lixões e aterros controlados, de forma que geravam diversos impactos negativos para o ambiente e a sociedade.

Com o avanço das tecnologias, hoje encontramos centros de gestão de resíduos que não apenas dispõem do material, mas também conseguem realizar a melhor destinação para cada item (reciclagem, compostagem, coprocessamento), além da captura de gás metano gerado na decomposição dos rejeitos.

É justamente desta captura de gás metano, seguida da queima por flare ou do encaminhamento para geração energética, substituindo combustíveis fósseis ou outros gases naturais, que se cria crédito de carbono.

 

    • Mais captura de gás metano, menos gás na atmosfera = crédito de carbono

Essa é uma explicação resumida, mas que ilustra bem o caminho para que um resíduo entre no mercado de carbono.

Um processo realizado em grandes centros de tratamento, capaz de tratar uma quantidade significativa de CH₄, comercializando a não emissão desse gás.

Como a floresta gera crédito de carbono

O uso da terra e das florestas é a principal fonte de emissões de GEE na atmosfera, e o impacto do mau uso desses espaços não se limita a isso. O desmatamento tem várias consequências severas, como perda de biodiversidade, alteração do fluxo das águas pluviais, perda da capacidade de geração de oxigênio e de outros serviços ecossistêmicos.

Essas são algumas das razões pelas quais o setor florestal é o mais visado e desenvolvido no mercado de carbono.

A preservação de áreas cobertas e a regeneração de áreas degradadas podem resultar na geração de crédito de carbono, ajudando produtores rurais a se beneficiarem economicamente ao manter a floresta de pé, por meio de pagamento por serviços ambientais, sem precisar vender ou usar seus lotes para práticas exploratórias.

O REDD+ é um exemplo desse modelo de incentivo. Desenvolvido pela UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), visa pagar aos países em desenvolvimento pela redução de suas emissões de GEE decorrentes do desmatamento e da degradação florestal.

No Brasil temos também o projeto Floresta+ Carbono, do Governo Federal, que incentiva o mercado voluntário de carbono, promovendo o pagamento por serviços ambientais.

Características e diferenças dos créditos de carbono provenientes de resíduos vs floresta

Apesar de ambos os setores serem fortes e potenciais geradores de crédito de carbono, não podemos fazer uma comparação direta entre si. Isto porque ambos os setores precisam atuar de forma complementar.

Porém, podemos destacar algumas das principais características e diferenças entre eles.

  Resíduos Terra e floresta
Emissão 91,1 Mt CO₂ e* 1.118 Mt CO2e*
Remoção 0,4 Mt CH₄ 667 Mt CO2e*
Fonte do crédito Disposição de resíduos com captura de gás metano, realizando a queima por flare ou a geração de energia. Projetos de preservação e regeneração de áreas florestais.
Regulamentações relacionadas Lei n.º 12.305/2010 Lei n.º 14.026/2020 REDD+
Floresta+ Carbono
Reserva Legal
Benefícios – Diminuição de metano na atmosfera.- Geração de energia renovável e menos poluente.- Tratamento completo do resíduo, evitando contaminação do solo, da água e do ar.- Melhor aproveitamento econômico dos resíduos. – Preservação da biodiversidade.- Retenção de CO₂ no solo.- Captura de GEE na atmosfera.- Conservação de árvores e de sistemas que contribuem para o controle da temperatura da Terra.- Proteção de recursos hídricos.- Incentivo da bioeconomia.

*SEEG – Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, Observatório do Clima, acessado em [21/12/2022] – seeg.eco.br

Quer entender tudo sobre o Mercado de Carbono? Confira abaixo os artigos sobre o tema:

O que é Crédito de Carbono
Crédito de Reciclagem beneficia a gestão de resíduos
O que é, como reduzir e compensar a pegada de carbono

 

 

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